Onde foram parar as meninas das bandeiras?
Menos gente nas ruas, mais Wind Banners e uma campanha que trocou trabalho temporário por estrutura
Wind Banner Praça Barão do Rio Branco Do bairro Alagoas ao Jardim Velho, passando pela Praça Barão do Rio Branco, a paisagem eleitoral de Estância parece diferente. As tradicionais carreatas, que em outros pleitos transformavam avenidas em corredores eleitorais, estão mais escassas. As caminhadas aparecem de forma mais pontual e as famosas “meninas das bandeiras”, presença quase obrigatória em campanhas de outros tempos, praticamente desapareceram. A campanha parece mais silenciosa. Há menos gente, menos movimento e até menos provocações entre grupos rivais. Em alguns pontos, o que se percebe é quase apenas o tremular das bandeiras presas às estruturas.
Os contratos das equipes de rua nem precisavam acompanhar os 45 dias. Em muitos casos, eram feitos por cerca de 30 dias. Agora, em determinados pontos, nem isso. O Wind Banner, estrutura vertical que sustenta a bandeira, passou a fazer o trabalho que antes exigia uma pessoa.
E há uma contradição quando se olha para o dinheiro que movimenta a eleição. O Fundo Especial de Financiamento de Campanha chega a R$ 4,96 bilhões em 2026, mais que o dobro dos R$ 2,03 bilhões de 2020 e praticamente no mesmo patamar de 2022 e 2024. Ao mesmo tempo, parte do trabalho que tradicionalmente fazia a campanha ganhar as ruas parece estar desaparecendo.
Não significa que uma coisa tenha causado a outra. Mas a pergunta permanece: com tanto dinheiro destinado às campanhas, por que há menos gente trabalhando nelas nas ruas?
E então aparece a cena que talvez melhor resuma essa mudança: um Wind Banner estampando a frase “trabalhador volta a trabalhador”. Só que, dessa vez, não há trabalhador segurando a bandeira. Há uma estrutura vertical, imóvel, ocupando a calçada e fazendo o serviço que antes dependia de uma pessoa. A diária que antes chegava a quem segurava a bandeira agora remunera quem fornece a estrutura, a impressão e, quando alugado, o próprio banner.
Em Aracaju, o Wind Banner já chegou ao terreno da disputa eleitoral. O Ministério Público Eleitoral ajuizou nove representações contra oito candidatos e três partidos e federações após encontrar conjuntos de estruturas alinhadas de forma contínua, produzindo, segundo o órgão, efeito visual equivalente ao de um outdoor. A fiscalização ocorreu em pontos de grande circulação da capital.
O episódio ajuda a dimensionar a mudança. A campanha digital ganhou espaço, enquanto a propaganda física encontrou novas formas de permanecer visível. A propaganda eleitoral na internet está autorizada desde 16 de agosto, assim como caminhadas, carreatas e outras atividades de rua, dentro das regras eleitorais. Em Estância, essa transformação aparece na paisagem: menos gente nas esquinas, mais estruturas nas calçadas e uma presença cada vez maior da política na tela do celular. Não há dados locais suficientes para afirmar que o eleitor esteja mais apático. O que se percebe é uma campanha diferente, mais silenciosa e menos dependente da presença humana para ocupar a cidade.



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