Tudo Iguá: empresa de saneamento nega cobrança de taxa de esgoto em Estância
Boato de cobrança imediata viraliza, mas checagem mostra que informação é falsa; população cobra solução para falta de água
Nos últimos dias, portais de notícias e publicações em redes sociais espalharam a informação de que a Iguá Saneamento, concessionária responsável pelo abastecimento de água em Estância desde junho, iria iniciar cobrança da taxa de esgoto em alguns bairros do município. A informação é falsa.
De acordo com o IBGE (Censo 2022), apenas 11,03% da população de Estância tem acesso aos serviços de esgotamento sanitário. Isso significa que cerca de 57,9 mil habitantes (88,97%) vivem sem rede de coleta e tratamento. Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) apontam que, dos 2.694,81 mil m³ de esgotos gerados anualmente no município, apenas 5,45% são coletados e tratados, enquanto 2.547,84 mil m³ são despejados diretamente na natureza.
Em Estância, somente alguns conjuntos habitacionais contam com rede de esgoto, como o Recanto Verde, Carmen Prado Leite, Valadares e um pequeno trecho do bairro Alecrim. A meta estabelecida pelo Marco Regulatório do Saneamento é atingir 90% de cobertura de esgotamento sanitário até 2033, um desafio que ainda está longe de ser realidade no município.
Reclamações da população
Apesar de negar a cobrança da taxa de esgoto, a Iguá enfrenta críticas desde que assumiu o serviço de abastecimento de água, antes gerido pelo SAAE. Moradores de diferentes regiões de Estância relatam constantes interrupções no fornecimento, com alguns bairros enfrentando falta d’água diária. Até o momento, a empresa não apresentou justificativas públicas consistentes para a interrupção dos serviços.
A empresa explica que a tarifa de esgoto, prevista em lei, só será aplicada quando houver uma rede instalada e uma estação de tratamento em operação. Em Sergipe, onde há esgotamento sanitário, a tarifa é de 80% sobre o valor da conta de água, com descontos de até 50% para famílias de baixa renda.
Atualmente, a Iguá está focada na elaboração de projetos e na busca por investimentos para ampliar a infraestrutura de água e esgoto no estado. A cobrança, portanto, só ocorrerá quando os serviços de coleta e tratamento forem implantados em Estância — algo que ainda não tem data definida.



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