Coopeastele falha aos finais de semana e deixa passageiros à mercê do descaso
Usuários enfrentam atrasos, superlotação e desrespeito à gratuidade; licitação e modernização prometidas pela prefeitura podem transformar o transporte público
O transporte público de Estância, gerido pela Coopeastele, já apresenta falhas durante a semana e se torna insustentável aos finais de semana. Usuários relatam atrasos, descumprimento de horários e longas esperas, muitas vezes superiores a duas horas, obrigando passageiros a caminhar, pegar mototáxi ou recorrer a caronas.
Durante a semana, no horário de pico entre 6h e 8h, os intervalos entre os ônibus aumentaram, segundo passageiros, prejudicando trabalhadores e estudantes. Os veículos circulam superlotados, evidenciando falhas na gestão da mobilidade urbana e na capacidade operacional do sistema.
No domingo, a situação se agravou: entre 12h e 14h e das 16h às 18h20, nenhum ônibus passou nos pontos. A redação do Comunicando recebeu relatos de passageiros que ficaram horas esperando. O presidente da Coopeastele, Domingos , confirmou os atrasos e explicou os motivos: “O problema do domingo ocorreu porque um cooperado não cumpriu seu horário. Ele foi suspenso como punição e reconhecemos o erro. Em relação à pontualidade, durante a semana os ônibus saem do ponto inicial a cada 15 minutos. Já aos finais de semana, esse intervalo sobe para uma hora”, detalhou.
Sobre a gratuidade, Domingos afirmou que, em teoria, cada veículo respeita o direito de idosos e passageiros que têm direito à passagem gratuita. “Os carros acabam levando mais de dois idosos e, em tese, a gratuidade é respeitada”, disse. Na prática, entretanto, os passageiros relatam que nem sempre os ônibus param para os idosos, mesmo quando têm direito legal à gratuidade, evidenciando um descumprimento recorrente da legislação.
Outro reflexo da precariedade do transporte público é o aumento das vendas de veículos de duas rodas. Segundo empresários do setor, concessionárias de motos têm registrado recordes de venda, alimentando a crescente frota de veículos do município. A deficiência do transporte público contribui diretamente para esse fenômeno, à medida que os cidadãos buscam alternativas individuais de mobilidade.
O superintendente da SMTT, Sílvio Barreto, destacou que medidas estruturais estão em andamento: “Estamos na fase final da elaboração da lei para enviar à Câmara. Após aprovação, iniciaremos a licitação do transporte público, etapa por etapa. O objetivo é oferecer ônibus novos, atender à crescente demanda e garantir respeito aos usuários. Para fiscalizar efetivamente, é importante que denúncias formais sejam registradas com data, hora e número do veículo”, explicou.
Enquanto a licitação e a modernização do sistema ainda não entram em operação, passageiros seguem enfrentando atrasos, superlotação e desrespeito às regras de gratuidade. O caso evidencia a urgência de reformas estruturais na mobilidade urbana de Estância, com impacto direto na qualidade de vida de milhares de pessoas que dependem do transporte público diariamente.



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