Sonho do Sul Sergipano ganha forma: UFS apresenta projeto do Campus de Estância
Com investimento superior a R$ 60 milhões, o novo campus será erguido no bairro Bonfim e marca uma virada histórica para a educação superior no sul de Sergipe


Com previsão de ordem de serviço já em dezembro e o início das aulas no primeiro semestre de 2026 em uma sede provisória, o campus será construído no bairro Bonfim, área estratégica pela proximidade com rodovias estaduais, com o polo industrial e com a malha urbana consolidada da cidade.
O projeto arquitetônico revela uma estrutura moderna, voltada à sustentabilidade e à convivência. O campus contará com salas de aula amplas, biblioteca, refeitório, laboratórios, estacionamento, áreas de lazer e convivência, além de placas solares que farão parte de um sistema de energia renovável, alinhado à política ambiental da UFS.

Em entrevistas concedidas aos meios de comunicação, o reitor André Maurício destacou a importância de otimizar os recursos públicos e planejar o campus de forma racional e eficiente. Ao abordar os desafios enfrentados pelo Campus do Sertão, em Glória, o reitor lembrou que a distância da sede do município, a falta de infraestrutura urbana e de transporte e o acesso por estrada vicinal — que após dez anos segue sem asfalto — dificultam o pleno funcionamento da unidade. Indiretamente, deixou claro que a escolha por Estância segue o princípio da otimização dos recursos e da infraestrutura existente, garantindo melhores condições de mobilidade, serviços públicos e integração com o Polo Industrial e a BR-101.

André Maurício é reitor da UFS (Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS
A decisão reforça o amadurecimento institucional da UFS e o aprendizado acumulado ao longo de sua expansão. A Universidade busca consolidar um modelo de interiorização sustentável, com base em critérios técnicos e em diálogo com as comunidades locais — o que torna o projeto de Estância uma referência de planejamento e visão de futuro.
A escolha do município também dialoga com o potencial econômico e ambiental da região sul. Entre os cursos previstos estão Biotecnologia, Ciência de Dados, Gestão Ambiental, Gestão de Empreendedorismo, Engenharia Têxtil e Engenharia de Produção — formações voltadas ao desenvolvimento tecnológico, à inovação e à sustentabilidade, que dialogam diretamente com as vocações econômicas locais.

Mas, como ocorre com grandes transformações, a chegada do campus também despertou debates. Embora o projeto tenha sido recebido com entusiasmo pela maioria da população, setores políticos ainda tentam disputar o protagonismo da conquista, o que, em muitos momentos, mais reflete vaidades do que compromisso coletivo. O que está em jogo, porém, não é uma bandeira partidária, e sim o futuro de toda uma geração.

O campus é uma realidade em andamento, fruto de uma política pública nacional e de uma decisão técnica da UFS — e não pode ser travado por divergências locais. O sul sergipano precisa de um pacto pela educação superior, capaz de unir esforços e superar divisões.

Mais do que concreto e tijolos, o campus da UFS em Estância representa o símbolo de um novo tempo: o da interiorização do conhecimento, da valorização do potencial humano e da fé de um povo que nunca desistiu de ver sua cidade se transformar em referência educacional para todo o estado.



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