CDL promove debate sobre Reforma Tributária e orienta empresários de Estância sobre impactos no dia a dia dos negócios
Especialista detalha mudanças com IBS e CBS, alerta para decisões ainda em 2026 e explica efeitos diretos no fluxo de caixa e na operação das empresas
Foto: Júlio César Paparazzo 

A iniciativa foi liderada pela Câmara de Dirigentes Lojistas, em parceria com o SEBRAE e a Prefeitura, em um movimento que vai além da agenda institucional e se insere no campo da preparação estratégica do empresariado diante de uma mudança estrutural no sistema tributário brasileiro. A reforma altera o modelo de tributação sobre o consumo ao substituir tributos como ICMS, ISS, PIS e Cofins por dois novos impostos de base ampla, o IBS e a CBS. A promessa de simplificação, no entanto, convive com um período de transição que exige alto nível de adaptação das empresas, tanto do ponto de vista operacional quanto financeiro.

Responsável pela condução da palestra, Silas Santiago trouxe uma leitura técnica e pragmática sobre o cenário. Ele destacou que o país entra em um ciclo de convivência entre dois sistemas tributários, o atual e o novo, o que tende a ampliar a complexidade no curto prazo. “Até 2032, vamos operar com dois modelos simultaneamente. Isso exige das empresas mais controle, mais organização e, principalmente, atenção ao fluxo de caixa. A forma de apuração muda, o momento do pagamento muda e qualquer erro pode impactar diretamente o resultado financeiro”, afirmou.

Ao avançar na análise, o especialista reforçou o caráter decisivo do momento atual. “2026 não é um ano de espera, é um ano de decisão. As empresas precisam entender o novo modelo e fazer escolhas estratégicas agora. No Simples Nacional, por exemplo, será necessário definir como recolher os novos tributos. Essa decisão interfere na carga tributária, na formação de preços e na competitividade. Quem não se antecipar corre o risco de pagar mais ou perder margem”, alertou.

Outro ponto sensível destacado foi a centralidade da nota fiscal no novo sistema. Com a proposta de apuração assistida, baseada nos documentos fiscais, a precisão das informações passa a ser determinante. “A nota fiscal deixa de ser apenas um registro e passa a ser o núcleo da apuração tributária. É a partir dela que o imposto será calculado. Isso exige revisão de processos internos, sistemas atualizados e maior rigor na operação. Não é uma mudança apenas de lei, é uma mudança de gestão”, pontuou.

O diretor técnico do SEBRAE em Sergipe, Brenno Luiz Ribeiro Barreto, sintetizou o alcance da reforma ao conectar o novo modelo à realidade das empresas. “Estamos vivendo uma transformação profunda na tributação do consumo no Brasil, com a substituição de tributos como ICMS, ISS, PIS e Cofins pelo IBS e pela CBS, que têm uma base mais ampla e alteram a forma de incidência. Isso impacta diretamente a operação das empresas, desde o controle fiscal até o fluxo de caixa e a formação de preços. A tendência é de manutenção da carga tributária em termos gerais, mas com possíveis variações entre setores. Por isso, o planejamento individualizado passa a ser essencial para que cada empresa se adapte sem perda de competitividade”, afirmou.

Para o presidente da CDL, Matheus Muniz, promover o debate neste momento é uma ação estratégica para o comércio local. “Nosso papel é garantir que o empresário tenha acesso à informação antes que o impacto chegue de forma mais dura. A reforma já está em curso e vai mudar a lógica do negócio. Quem compreender agora como isso afeta custos, preço e margem, terá melhores condições de se adaptar. Não é apenas uma questão tributária, é uma questão de sobrevivência e competitividade”, destacou.

O evento contou com a presença da secretária municipal de Governo, Cláudia Trindade; da presidente da OAB Regional Sul, Guadalupe Machado; da diretora regional do Sebrae, Graça Santa Bárbara; da gerente do Sebrae, Heloísa Fontes; além de empresários, contadores e diretores da CDL.

Ao colocar a Reforma Tributária no centro do debate local, a CDL evidencia que a discussão deixou de ser técnica e passou a ser estratégica. Em um cenário de transição prolongada e mudanças estruturais, antecipar-se não é apenas uma vantagem, mas uma necessidade para garantir sustentabilidade, competitividade e capacidade de adaptação no novo ambiente econômico.




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