Casa cheia e céu em chamas consagram o Barco de Fogo como símbolo vivo de Estância
Primeiro X1 com cinco barcos simultâneos lota o Forródromo e transforma tradição centenária em espetáculo de massa nos 178 anos da cidade


Cortando o céu no arame, iluminando a noite com suas faíscas e movimentos precisos, o artefato mais emblemático da cultura estanciana mostrou, mais uma vez, por que é considerado o maior símbolo identitário do município e um dos mais fortes da cultura sergipana. Um espetáculo que mistura arte, técnica e coragem, construído pelas mãos de mestres fogueteiros que transformam pólvora em emoção.

Dessa vez, a tradição ganhou um novo capítulo. Por iniciativa dos próprios fogueteiros, o público acompanhou a primeira Corrida X1 de Barco de Fogo. Um formato inovador, com cinco barcos correndo simultaneamente no arame, em três baterias que levantaram o público a cada disputa.E o que se viu foi mais do que competição. Foi pertencimento.

O estanciano olhou para sua própria cultura e tomou para si. Vestiu a identidade, reconheceu seu valor e respondeu com presença, com aplauso, com emoção. Um movimento que fortalece a cultura primeiro dentro de casa, para depois ganhar o mundo. Não por acaso, o Barco de Fogo já é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial de Sergipe. Mais do que um artefato junino, ele é tradição viva, é memória coletiva, é expressão de um povo que transformou criatividade em símbolo. É ele quem leva o nome de Estância aos quatro cantos do país e além, encantando pela sua beleza, pela sua engenharia e pelo jeito único de prender o olhar e o coração de quem assiste.

E o que se viu nessa noite reforça um caminho natural. Com essa força popular, com esse nível de organização e encantamento, cresce o sentimento de que o Barco de Fogo pode alcançar voos ainda maiores, sendo reconhecido também como patrimônio cultural imaterial brasileiro. Porque não é só espetáculo. É identidade, é história, é ciência popular dominada por homens que são, na prática, verdadeiros mestres do fogo.

Presente no evento, o radialista Luiz Carlos Dussantus, o Dissanti, referência na valorização dessa cultura e criador da marca “Capital Brasileira do Barco de Fogo”, resumiu bem o momento vivido. “O que a gente viu aqui foi a prova de que a tradição não para no tempo. Ela evolui. Colocar cinco barcos no arame, ao mesmo tempo, exige domínio, respeito e muito conhecimento. Não é só corrida, é arte acontecendo ao vivo. O Barco de Fogo continua sendo o mesmo na essência, mas agora mostra que também pode inovar e crescer sem perder sua alma. E isso só acontece porque o povo acredita. Porque aqui é Estância”, destacou.

Ao todo, foram três baterias, todas com cinco barcos simultâneos, em disputas marcadas por velocidade, precisão e muita emoção.

Resultados da Corrida X1 de Barco de Fogo:
1ª Bateria
1º José Marcos
2º Kekeu Fogueteiro
2ª Bateria
1º Paulo
2º Marquinhos
3ª Bateria
1º Marcinho
2º Sulo

Entre largadas rápidas, chegadas apertadas e o vai e vem hipnotizante no arame, a sensação era clara. Não era só uma apresentação. Era um espetáculo digno de grandes arenas, mas com uma diferença essencial. Ele pertence ao povo. Nos 178 anos de elevação de Estância à categoria de cidade, a celebração veio em forma de luz, fogo e identidade. Uma noite em que o passado, o presente e o futuro se encontraram no céu. E mostraram que, enquanto houver fogueteiro, enquanto houver povo, o Barco de Fogo continuará sendo eterno.




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