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Estância,09/10/2026

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O paradoxo de Tarcísio: a vitória do grupo pode ameaçar seu sonho de 2030

Entre Lula e Flávio, a eleição de 2026 pode produzir cenários muito diferentes para quem pretende transformar a força conquistada em São Paulo em um projeto nacional.

CS
O paradoxo de Tarcísio: a vitória do grupo pode ameaçar seu sonho de 2030

Existe uma conta política pouco confortável no horizonte de Tarcísio de Freitas. O político que chegou à grande política pelas mãos de Jair Bolsonaro, ganhou projeção como ministro e depois conquistou São Paulo deixou de ser uma aposta distante. Reeleito governador com 62,65% dos votos válidos, chega a 2027 com capital eleitoral próprio e mais quatro anos para transformar essa força em um projeto nacional.

Há uma limitação importante nesse caminho. Tarcísio não poderá disputar um terceiro mandato consecutivo para governador. Depois de oito anos no comando do maior Estado brasileiro, 2030 aparece como a fronteira natural de sua trajetória.

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É aí que Lula entra na equação.

Se Lula vencer em 2026, permanecerá no Planalto até 2030, mas não poderá disputar um terceiro mandato consecutivo pela regra constitucional atual. A sucessão presidencial estará aberta. O PT continuará sendo uma força nacional, mas terá de encontrar outro nome para ocupar o espaço deixado pelo atual presidente.

Para Tarcísio, esse cenário significaria quatro anos para concluir seu ciclo em São Paulo, consolidar sua gestão e chegar a 2030 com oito anos de governo e duas vitórias eleitorais. A direita estaria na oposição, reorganizando sua liderança, enquanto Tarcísio poderia se apresentar como uma das alternativas para a sucessão.

O paradoxo começa aí: uma derrota presidencial do grupo poderia preservar espaço para o projeto individual de Tarcísio.

O problema aparece no outro cenário.

Se Flávio Bolsonaro vencer, a direita não apenas derrotará Lula. Colocará no Planalto um novo centro de poder dentro do próprio campo político de Tarcísio. Flávio teria quatro anos para construir alianças, ampliar sua influência e chegar a 2030 como presidente da República e nome natural para defender a continuidade do projeto que ele próprio comandou.

São Paulo seria uma peça importante. Quanto maior a contribuição de Tarcísio para uma eventual vitória de Flávio, maior também poderá ser o capital político transferido para o novo presidente.

Tarcísio poderia, assim, ajudar a colocar no Planalto alguém que, quatro anos depois, estaria justamente na posição de disputar o espaço que ele pretende ocupar. A vitória do grupo em 2026 poderia estreitar a estrada de Tarcísio em 2030.

Isso não significa que Flávio impediria uma candidatura de Tarcísio. Política não funciona por sucessão automática. Mas o ponto de partida seria outro: em vez de disputar uma sucessão aberta, Tarcísio teria de enfrentar um presidente do próprio campo, com quatro anos de poder federal e interesse legítimo em conduzir a continuidade de seu projeto.

E há ainda uma terceira possibilidade nessa conta, talvez a mais curiosa.

Se Lula perder em 2026, ele não estará necessariamente fora do jogo. Fora da Presidência, poderá chegar a 2030 sem a restrição de uma candidatura consecutiva. Ou seja: a derrota que abre espaço para Tarcísio também pode manter o próprio Lula como personagem da sucessão.

A equação, então, fica mais complexa. Lula vencendo em 2026 pode deixar 2030 sem Lula na disputa. Lula perdendo pode colocá-lo novamente no tabuleiro. Flávio vencendo pode ocupar o centro da direita. E Tarcísio, em qualquer dos casos, terá de transformar os oito anos de São Paulo em um projeto nacional.

Nenhum desses caminhos garante o futuro de ninguém. Quatro anos mudam alianças, governos e prioridades. Mas os resultados de 2026 podem definir quem chegará a 2030 ocupando o centro do tabuleiro e quem terá de disputar espaço dentro dele.

É esse o verdadeiro paradoxo de Tarcísio: a vitória do seu grupo pode colocar um concorrente no centro do poder, enquanto uma derrota pode manter aberta a reorganização da direita, mas também devolver Lula ao jogo.

A política brasileira, como de costume, consegue transformar uma eleição em uma conta que só fecha quatro anos depois.




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