COLUNA COMUNICANDO com DIOGO OLIVEIRA
Coluna Comunicando | Gol de placa para a cultura estanciana
Secretário Da Cultura Paulo Ricardo Estamos às portas de mais uma Copa do Mundo. E, aproveitando a metáfora futebolística que sempre cabe bem quando se fala de estratégia e resultado, dá para dizer sem medo: o secretário de Cultura Paulo Ricardo marcou um gol de placa com a reinauguração da Galeria Félix Mendes, dentro da Escola Estanciana das Artes.

Gol bonito, daqueles que levantam a torcida.
Porque Estância sempre teve craques no campo da cultura. Escritores, músicos, artistas plásticos, jornalistas — gente que ajudou a construir o que hoje chamamos, com justiça, de Berço da Cultura Sergipana.
Houve um tempo em que essa vocação cultural vinha acompanhada de uma efervescência que marcava o cotidiano da cidade. Estância tinha cinemas, tinha o Cassino, tinha o Cruzeiro com seus famosos bailes. Havia protagonismo no esporte, na política, na imprensa, na indústria, na literatura e nas belas-artes. Era uma cidade que pulsava em várias frentes e cuja vida cultural não cabia apenas nos livros de história — ela acontecia nas ruas, nas salas de espetáculo e nos encontros da sociedade.
Com o passar das décadas, parte dessa movimentação foi se diluindo. Alguns espaços desapareceram, outros silenciaram, e a cidade acabou ficando carente de ambientes permanentes dedicados às artes visuais. A Casa da Cultura e o Memorial de Estância ainda cumpriram papéis importantes, mas também deixaram lacunas quando fecharam suas portas.
Estância continuou tendo artistas. O que faltava era novamente um palco permanente.
Enquanto isso, outras cidades souberam transformar cultura em agenda contínua. Laranjeiras, com o seu tradicional Encontro Cultural, e São Cristóvão, com o Festival de Artes, entenderam cedo que tradição precisa de palco para se renovar e ganhar projeção.
E é justamente essa lacuna que começa a ser preenchida com a Galeria Félix Mendes. O espaço abre as portas com obras de quinze artistas estancianos e, mais do que uma exposição, nasce com vocação de permanência: um ambiente para expor, dialogar, vender e fortalecer a produção artística local.

Mas o projeto tem um detalhe que merece aplauso extra.
Todas as sextas-feiras haverá revezamento de artistas para conduzir visitas guiadas com estudantes da rede municipal. Em outras palavras, não se trata apenas de uma galeria — é também uma pequena escola viva de arte. Além de valorizar quem já produz, a iniciativa planta sementes para que novos artistas estancianos surjam.

E quem acompanha futebol sabe: quando um time começa a encaixar jogadas, o segredo é manter o elenco e dar continuidade ao trabalho.
Desde que assumiu a pasta, Paulo Ricardo vem tentando montar esse time. Logo no início da gestão, Estância recebeu a Mostra de Dança Contemporânea em Sergipe, iniciativa que trouxe oficina, espetáculo e homenagens a bailarinos ligados à trajetória da professora Lú Spinelli. A programação ocupou diferentes espaços da cidade, incluindo a Praça Barão do Rio Branco, celebrando nomes como Fábio Sabath e Fabiana Montalvão, formados na tradição da dança estanciana.
Depois veio a Mostra de Artes Cênicas de Sergipe (MOSTRAR-SE), idealizado pela Sociedade dos Incautos. O movimento, ampliou a presença do teatro e das artes de palco na cidade. Ao mesmo tempo, a secretaria passou a estimular a ocupação cultural de espaços públicos, fortalecer o carnaval nos bairros e abrir, de forma inédita, um cadastro público de agentes culturais, reunindo mestres do fogo, músicos, trios pé de serra e produtores culturais.
Organizar a cultura também é valorizá-la.
Sem falar na retomada das comemorações do aniversário da cidade e no desafio de coordenar o São João logo nos primeiros meses de gestão. E ali, diga-se de passagem, o Forródromo voltou a ver casa cheia como há tempos não se via.
E como em todo campeonato que começa a engrenar, aparece sempre aquele tipo curioso de torcedor: o que não acompanhou o time nas rodadas difíceis, não apareceu nos jogos do meio da tabela, mas na reta final surge cheio de opinião sobre escalação, técnico e esquema tático. Futebol tem dessas figuras. Cultura e política também.
Mas a bola está rolando — e o time começa a mostrar entrosamento.
Nos bastidores, inclusive, já se fala em novidades para os festejos juninos. O secretário já sinalizou que o São João de Estância deve trazer novidades capazes de ampliar ainda mais a projeção cultural da cidade — algo que, convenhamos, combina com um município que se orgulha de ser referência cultural no estado.
Entre as ideias que começam a circular está uma iniciativa bastante simbólica neste mês dedicado às mulheres: a possibilidade de um dia inteiro da programação junina com atrações formadas exclusivamente por mulheres, celebrando a força feminina na música e na cultura popular.

Se confirmada, será mais um gesto de sintonia com o tempo presente e uma demonstração de que tradição também sabe dialogar com novos protagonismos, abrindo espaço para que elas brilhem no palco do maior festejo cultural da cidade.
A reinauguração da Galeria Félix Mendes atende a uma reivindicação antiga da classe artística e pode ser o início de algo maior: exposições permanentes, lançamentos de livros, recitais, encontros culturais e novas movimentações criativas ao longo do ano.

Se o espaço for bem cuidado — e a cidade abraçar a ideia — não é exagero imaginar Estância vivendo uma nova era de projeção cultural. Um ambiente capaz de impulsionar eventos literários, encontros artísticos e, por que não, sonhar com uma Bienal do Livro de Estância — algo perfeitamente plausível para uma cidade que carrega tradição literária e possui uma Academia Estanciana de Letras.

Porque tradição cultural, quando encontra gestão, continuidade e visão de futuro, deixa de ser apenas memória.
Vira projeto.
E quando o time joga com organização, talento e apoio da torcida, o gol bonito deixa de ser exceção.
Pode muito bem virar temporada histórica para a cultura estanciana. 🎭



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