COLUNA COMUNICANDO com DIOGO OLIVEIRA
Coluna Comunicando | Café ☕️ com Leite 🥛 – a dupla que atrasou o Brasil e agora ameaça azedar o sonho da UFS em Estância
Imagem Ilustrativa do Campus Estância Há mais de um século, o Brasil foi governado pela chamada Política do Café com Leite, um conchavo entre as elites de São Paulo e Minas Gerais que manteve o poder concentrado nas mãos de poucos e o povo no papel de espectador. Passado tanto tempo, parece que Estância resolveu reviver esse velho roteiro, só que agora com personagens locais, egos inflados e uma pitada generosa de vaidade política.
Estância venceu uma disputa histórica para sediar o novo campus da UFS, sonho antigo de toda a região sul. Foi bonito de ver quando, pela primeira vez, adversários políticos se deram as mãos: o ex-prefeito Ivan Leite e o então prefeito Gilson Andrade. Um aperto de mão que simbolizava maturidade política e colocava Estância no mapa da educação superior federal. Resultado: edital publicado, recursos garantidos, mais de R$ 200 milhões em investimentos, cursos definidos e previsão de início das aulas já no primeiro trimestre de 2026.
Mas o café esfriou. E o leite talhou.
De repente, ressurge Ivan Leite, aquele que não conseguiu trazer o campus em seus tempos de poder, e resolve agora questionar a decisão da UFS sobre o local da construção. O argumento é técnico, mas o cheiro é de interesse. A Universidade optou por um terreno central, em área de expansão urbana, com infraestrutura, acesso pela BR-101 duplicada e vizinhança industrial, tudo o que o campus precisa para crescer. Mas, ao que parece, a geografia que incomoda é a dos lucros imobiliários.
Eis que entra em cena o deputado Thiago de Joaldo, o “Café com Leite” original, segundo o próprio governador Fábio Mitidieri, que ironizou o tamanho político do parlamentar. O deputado, que em três anos de mandato não trouxe uma única conquista expressiva para Estância, decidiu embarcar na birra do ex-prefeito. A razão? O cálculo é simples: quem perdeu terreno político em casa tenta cavar espaço no quintal alheio.
O problema é que, enquanto Ivan sonha com a valorização de seus terrenos e Thiago sonha com alianças para 2026, 250 jovens sonham com o diploma que pode mudar suas vidas, e estão prestes a acordar com um balde de água fria.
Estância e o sul de Sergipe podem perder mais do que uma obra: perderão a chance de reescrever sua história. São mais de 300 mil pessoas que seriam diretamente beneficiadas por uma universidade pública, empregos diretos e indiretos, circulação de renda e novos horizontes para uma região esquecida pelos governos.
Mas, como sempre, quando o ego fala mais alto que o interesse coletivo, o progresso perde. O “café com leite” que um dia foi sinônimo de poder, hoje virou piada, e em Estância ameaça virar sinônimo de atraso.
Se essa briga política seguir fervendo, o que era para ser um brinde ao futuro pode acabar se transformando em mais uma xícara amarga para o povo beber. ☕️🥛
E aqui cabe um adendo: este texto foi escrito em outubro de 2025, no momento em que a ação foi judicializada. À época, já se fazia o alerta sobre os riscos dessa disputa. Hoje, Estância se depara com uma decisão que pode comprometer um sonho de mais de 30 anos. Trata-se, por ora, de uma perda parcial, mas que pode se tornar definitiva, a depender dos desdobramentos políticos e do resultado das eleições em outubro. O peso dessa briga de egos traz consequências imensuráveis para o desenvolvimento de Estância e de toda a região sul. A ação judicial que trava o processo foi movida pela CIESA, leia-se Ivan Leite, e já produz efeitos concretos. A decisão judicial determina a suspensão imediata dos atos relacionados à implantação do campus no terreno escolhido pela UFS, sob pena de multa diária de R$ 500. Trata-se de uma medida liminar que interrompe o avanço de um projeto estratégico para o desenvolvimento regional.
Diogo Oliveira
Graduado em Comunicação e Pós-Graduando em Gestão Pública Municipal pela Universidade Federal de Sergipe



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