Medicamentos variam até 520% em Estância, aponta pesquisa do Procon 💊
Levantamento em 14 farmácias revela disparidades que pesam no bolso do consumidor
Em tempos de orçamento apertado, o preço do remédio pode ser a diferença entre seguir o tratamento ou abandonar a prescrição médica. A constatação vem de um levantamento realizado pelo Procon de Estância, que percorreu 14 farmácias da cidade entre os dias 15 e 18 de setembro e encontrou diferenças que chegam a impressionantes 520% para o mesmo medicamento.
O caso mais emblemático foi o da Dipirona em gotas (20 ml), registrada a R$ 2,00 em um estabelecimento e a R$ 12,40 em outro. Uma diferença de R$ 10,40 — que, para quem depende do uso contínuo ou frequente, pesa no orçamento doméstico.
Mas não é só a dipirona que chama a atenção. Entre os 45 itens pesquisados, outros exemplos reforçam a disparidade:
Nimesulida 100 mg: de R$ 3,50 a R$ 13,85 — variação de 295%;
Captopril 25 mg: de R$ 2,65 a R$ 10,00 — variação de 277%;
Risperidona 1mg/ml (30ml): de R$ 21,90 a R$ 77,28 — variação de 252%;
Antialérgico genérico 5mg: de R$ 11,00 a R$ 37,81 — variação de 243%.
Os números mostram que o consumidor de Estância pode pagar até cinco vezes mais caro pelo mesmo medicamento, dependendo da farmácia escolhida.
No Brasil, a regulação dos preços de medicamentos passa pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), mas, na prática, o valor final ao consumidor varia conforme política comercial das farmácias, estoques, descontos e convênios. Em Estância, o estudo do Procon expôs de forma cristalina o que boa parte da população já sabia de experiência própria: é preciso pesquisar para não pagar caro demais.
A coordenadora do Procon, Juliana Santos, resume a questão em uma frase direta: “Encontramos casos em que o mesmo medicamento custa até cinco vezes mais caro de uma farmácia para outra. Essa informação é essencial para que o consumidor possa escolher com consciência e proteger o próprio bolso.”
A pesquisa do Procon não tem caráter regulatório — não se trata de tabelamento de preços —, mas funciona como espelho de mercado. É um serviço de utilidade pública que deveria estar colado na porta de cada farmácia. Saber que a dipirona pode custar R$ 2,00 ou R$ 12,40 muda a lógica da compra e devolve poder ao consumidor.
Para o cidadão comum, que muitas vezes entra na primeira farmácia do caminho e aceita o preço como imutável, a pesquisa é um lembrete incômodo: não se trata apenas de saúde, mas também de dinheiro. No fim do mês, a diferença pode significar comida na mesa ou contas pagas em dia.
Mais do que expor discrepâncias, o levantamento reforça um ponto central: a saúde é um direito, mas também um negócio. E enquanto o mercado opera com margens tão díspares, cabe ao consumidor usar a informação como arma. Pesquisar, comparar e exigir transparência são gestos simples, mas que fazem diferença.
A lista completa com os preços está disponível no Portal Comunicando e também no atendimento presencial do Procon, na Rua Capitão Salomão, nº 256, Centro – Passeio Guanabara (CEAC).
No fim das contas, o recado é claro: em Estância, um mesmo remédio pode custar de duas a cinco vezes mais. E só a informação pode equilibrar essa conta.



COMENTÁRIOS